Moçambique mantém estabilidade económica após ciclónes

O Banco Mundial considera que Moçambique alcançou avanços significativos em termos de estabilidade económica e no reforço das reservas externas, cerca de ano depois que os ciclones Idai e Kenneth assolaram as regiões Centro e Norte do país.
Os dois eventos extremos fustigaram mais as províncias  de Sofala e de Cabo Delgado, contribuindo para a redução no crescimento económico no geral.
No seu relatório sobre a actualidade económica nacional, apresentado ontem, em Maputo, pela economista sénior, Shireen Mahdi, o Banco Mundial apresenta ainda uma perspectiva positiva para o crescimento do país baseada na recuperação do sector agrícola pós-ciclones, melhoria nas condições de crédito e avanços no desenvolvimento dos projectos de Gás Natural liquefeito da bacia do Rovuma, no norte do país.
Não obstante, a análise económica do Banco Mundial aponta desafios em termos de crescimento inclusivo, sustentabilidade fiscal e acesso equitativo aos serviços mais básicos.
Face a esse panorama, destaca-se a necessidade de um “foco renovado” nas reformas estruturais para um crescimento mais sustentável e inclusivo, incluindo o avanço no fortalecimento do ambiente de negócios, aumento da oferta de mão-de-obra qualificada na economia, redução de corrupção e melhoria de infra-estruturas e conectividade.
“Construir resiliência a choques climáticos também é cada vez mais clítico, dada a maior exposição de Moçambique a esses eventos”, refere o relatório citado pela AIM
Os ciclones Idai e Keeneth reduziram o crescimento económico para 2,3 por cento em 2019, comparado aos 3,3 por cento registados em 2018, devido particularmente ao abrandamento na produção de carvão e o impacto na agricultura.
Outros factores como os custos da resposta aos ciclones, do ciclo eleitoral e de uma massa salarial da função pública em contínuo crescimento forçaram o abrandamento da tendência do crescimento económico comparado ao de 2018.
“E embora os níveis de endividamento tenham diminuído desde 2016, o peso da dívida ainda é elevado. Assim, as perspectivas apontam para cenário de consolidação fiscal e exigem medidas de curto prazo para reduzir o défice, mantendo um foco persistente na melhoria da eficiência das despesas”, considera o relatório.
A mesma fonte reconhece os “avanços significativos” alcançados no fortalecimento da gestão fiscal nos últimos anos e apela a esforços adicionais para controlar o crescimento da despesa com o pessoal da função pública e necessidade de estruturar as empresas do sector empresarial do Estado com fraco desempenho.
O relatório faz alusão às disparidades existentes no acesso à infra-estrutura básica em Moçambique e apela aos formuladores de políticas que estejam atentos ao crescente défice de investimento rural.
A Actualidade Económica de Moçambique dá destaque ao investimento público em infra-estruturas básicas, que constitui um tema de importância significativa para Moçambique no âmbito da missão de promoção a igualdade de oportunidades e um crescimento mais inclusivo.
O documento avalia se as disparidades no acesso às infra-estruturas básicas entre as regiões mais desfavorecidas e avançadas de Moçambique estão a crescer ou diminuir e se o programa das despesas públicas é eficaz para lidar com as disparidades emergentes.
Constata, no geral, que a disparidade tem aumentado entre áreas rurais e urbanas, especialmente nas partes rurais das províncias do centro e norte do país, que, também, são as mais pobres. Mostra ainda que o programa de investimento público de Moçambique faz progressos limitados na redução das disparidades de acesso durante os anos de expansão de investimentos entre 2008 e 2015.
O relatório recomenda o estabelecimento de metas específicas para alcançar as zonas desfavorecidas no Plano Quinquenal do Governo e no Plano Económico especial, adoptando uma abordagem prospectiva para atingir áreas com populações crescentes e continuando a reduzir ineficiências na alocação.

Frelimo
Unidos, Fazemos Moçambique Desenvolver

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