Aprovada Lei que ratifica decreto sobre Estado de Emergência
Unidos pelo propósito, foram detalhes que separaram, por duas horas,
os deputados das três bancadas, até a aprovação final do decreto
presidencial sobre o Estado de Emergência.
Numa sessão convocada com carácter de urgência, 208 deputados
estiveram no parlamento para validar um decreto que chegou aos deputados
já com data e hora para entrada em vigor.
No início da noite arrancava a sessão com a Ministra da Justiça,
Assuntos Constitucionais e Religiosos, Helena Khida, a fazer as honras
do governo, apresentando as linhas de costura do decreto.
"Perante a iminente ocorrência de calamidade pública e porque não
podemos perder a curta janela de oportunidade que o país tem, o
Presidente da República, ouvidos o Conselho de Estado e o Conselho
Nacional de Defesa e Segurança, ao abrigo do disposto na alínea a) do
artigo 160, conjugado com a alínea b) do artigo 165 e alínea b) do
artigo 265 da Constituição da República, decidiu decretar o Estado de
Emergência em todo o território nacional" descreveu a ministra durante a
apresentação do decreto.
Na sua apreciação, a Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos
Humanos e de Legalidade (1ª Comissão) apresentou o seu parecer, dando
aval ao avanço do decreto.
De acordo com o presidente da comissão, António Boene, a proposta de
Filipe Nyusi tem todos os fundamentos legais e tem cobertura dentro do
contexto actual, pelo que era dever do parlamento aprovar a sua entrada
em vigor.
Legalidade a parte, a principal comissão parlamentar deixou reparo
para algumas nuances que, no seu parecer, deviam ser clarificados.
A principal questão estava relacionada com a limitação dos direitos
fundamentais, situação que era considerada menos clara na proposta
inicial.
Segundo Boene, o decreto deveria "clarificar as circunstâncias e condições em que tal limitação e imposição podem ocorrer".
Após o parecer, as três bancadas foram chamadas a mostrar as
respectivas posições e, no geral, manifestaram-se de acordo com a
imposição do Estado de Emergência, contudo, a oposição travou, no
primeiro momento, o processo de votação, exigindo que o decreto tivesse,
primeiro, que considerar as recomendações deixadas pelo plenário.
Por outro lado, a Frelimo tentou levar a votação avante, justificando
que a urgência, face a emergência do momento, deveria levar a que os
deputados deixassem de lado questões de detalhes, tanto mais que a
ministra da Justiça anuira a sua inclusão.
Com as divergências a roçarem alguma animosidade, foram necessárias
cerca de duas horas de intervalo para que as bancadas e o governo
acertasse o passo e, uma hora antes do período da entrada em vigor, o
decreto fosse aprovado, por consenso e unanimidade dos 208 deputados que
estiveram presentes na sessão.
Frelimo
Unidos, Fazemos Moçambique Desenvolver
Comentários
Enviar um comentário