EXPORTAÇÃO DA AMÊNDOA DA CASTANHA DE CAJU: Solução pode estar no mercado sul-africano
A INDÚSTRIA nacional de processamento da castanha de caju deve apostar no mercado sul-africano de modo a fazer face à diminuição da procura pelo tradicional cliente - a China - devido ao coronavírus e à recente decisão do Governo indiano de agravar a sobretaxa de importação deste produto.
A recomendação surge no âmbito de um estudo elaborado à luz do projecto ACAMOZ, segundo o qual aÁfrica do Sul é um mercado crescente de caju no mundo.O projecto ACAMOZ é uma iniciativa financiadapela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD)em parceria com o Instituto de Fomento do Caju (INCAJU) e o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER).
“Mesmo que permaneça pequeno em comparação com grandes mercados como Índia, Estados Unidos da América ou União Europeia, a África do Sul é um mercado em que Moçambique tem uma vantagem comparativa devido à curta distância”, refere o estudo.
A fonte explica que em 2019 a África do Sul importou 2600 toneladas métricas de amêndoade caju, mas apesar da curta distância e dos acordos de livre comércio da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), a participação de Moçambique nessas importações foi de apenas 36por cento.
O estudo revela ainda que esta situação ocorre principalmente porque a África do Sul não aplica nenhum imposto sobre as importações de caju do Vietname e da Índia, mesmo sem ter nenhum acordo de livre comércio com eles.
“Moçambique poderia negociar facilmente com o governo da África do Sul um imposto de 10 a 15por centosobre a amêndoa de caju de fora da SADC,argumentando que o desenvolvimento da sua indústria de caju é benéfico para a economia da África do Sul, porque parte dosinsumosusadosno processamento (sacolas plásticas, algumas peças de reposição) em Moçambique, são importadas da África do Sul”, aponta.
O estudo recomenda o Instituto Nacional do Caju (INCAJU) e a Associação dos Industriais do Caju (AICAJU) a promoveremo caju moçambicano junto da agro-indústria e dos consumidores da África Ocidental.
Relativamente ao proteccionismo da Índia sobre a amêndoa de caju, a fonte considera tratar-se de uma medida contráriaaos compromissos assumidos por este país, tanto na Organização Mundial do Comércio (OMC), como nas deliberações aprovadas nos vários encontros internacionaisÍndia-África.
“NaOMC, a Índia e a maioria dos países africanos são frequentemente aliados nas negociações comerciais agrícolas, pois defendem o direito de proteger e promover os seus pequenos agricultores e pedem a diminuição dos subsídios nos países desenvolvidos. Portanto,em muitos tópicos a Índia precisa apoio dos países africanos para negociar acordos vantajosos.
“Sendo o país africano mais antigo no processamento de caju, Moçambique poderiapressionar a Índia liderando uma negociação com outros países africanos, em particular, Costa do Marfim, Nigéria, Benin, Tanzania e Burkina Faso, todos com fortes relações económicas com a Índia. Os países africanos podem até pedir apoio dos Estados Unidos da América, União Europeia ou China para pressionar, pois estes países serão muito sensíveis para apoiar o desenvolvimento industrial na África e combater o proteccionismo injusto da Índia”, frisa o estudo.
Frelimo
Unidos,
Fazemos Desenvolver Moçambique

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